a mulher à janela.

>> segunda-feira, 15 de setembro de 2008




Os pés descalços na frieza do chão, apoiando o peso da melancolia na janela. Horas infindáveis olhando, mas sem ver, o mundo que acontecia por si mesmo, sem ela. A janela é o frágil alicerce da sanidade. A lassitude se alastrava dolorosamente. O mar, o vento no rosto imperfeito, compondo uma falsa beleza. A solidão consumia seu vestido, que um dia fora tão, tão branco, consumia o ermo quarto.
Ela só queria acreditar. Juntar os retalhos e costurar o amor. Acreditar que existia, não queria mais fingir ser os resquícios de outrem. Efusão de dores, delíquio de pensamentos roubados e devorados. O láudano agia como tinha de ser, os rostos se esvaneceram de sua alma de vidro e finalmente ela sucumbe ao caos.
Mas ela continua lá, sem rosto, sem nome, com os pés apodrecidos. A mulher à janela.

1 comentários:

Raisa. 22 de setembro de 2008 às 15:52  

Quero também juntar os retalhos, talvez componha até uma colcha para nos dias de solidão sentir-me aquecida, uma colcha de retalhos com a face dos meus amores, impossível.

O tempo corre, todas as perguntam acabam contribuindo para que o cheiro de podre permaneça no ar e nós simplesmente acendemos outro cigarro.