la mort est bleu.

>> quinta-feira, 20 de agosto de 2009


"Eu gostaria de poder comunicar a todos os seus medos da morte combinados o Ensinamento de Séculos de Idade que escutei, que redime toda a dor com uma recompensa suave de amor perfeito silencioso que permanece pra cima e para baixo e para dentro e para fora de todos os lugares passados, presentes e futuros no Vazio desconhecido onde nada acontece e tudo é simplesmente o que é. Mas eles mesmos sabem disso, besta e chacal e mulher amor, e meu Ensinamento de Séculos na verdade é tão velho que eles já ouviram há muito tempo antes de minha época. Todos nós nascidos para morrer."


primeiro derrame, medo de perder o pai dos olhos azuis, visita noturna, hospital, ele ainda está vivo, não se preocupe, entre e fale com ele; oi,vô, sou eu, com um desespero pulsante, mas ainda sou eu; os olhos vidrados de não-reconhecimento, de não-lembrança de tudo, do amanhecer naquela casa tirada dos contos de Poe, dos doces culpados pelo meus quilos a mais, dos olhos, da doçura, da velhice, neta preferida; eu não sei quem você é, sinto muito, é o que ele diria se pudesse; mas como?, sou eu, avôzinho, por favor, eu estou aqui. e depois? depois nada, depois morte e depois semanas em frente ao espelho, se você repetir o nome dele três vezes ele parece, juro, quem sabe ele aparecia de uma forma inexplicável, como nos filmes da madrugada, pra dizer adeus pra dizer que vai morrer de saudade mas que ele tem de partir pra sempre. mas nada no espelho, a não ser aquele reflexo gordinho e desajeitado de menina desiludida pela simplicidade da não-mais-existência. a morte é azul, minha criança.

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>> terça-feira, 14 de julho de 2009


nem sei como começar, talvez nem devesse. aquele filho da puta ainda me persegue, mesmo quando eu durmo ele está lá, infernizando com aqueles olhos baixos. não imagina o quanto eu odeio qualquer rastro dele. e eu acordei podre, mesmo, é essa a palavra. e esses dias foram ruins para mim, m. eu não sei o que acontece comigo, só não queria ficar muito tempo perto de ti por não saber como agir, não queria parecer ressentida, não queria que te sentisses culpada ou que me pedisse desculpas. porque ninguém merece desculpas, na verdade. eu estava acordada quando entraste no quarto, fiquei esperando tu finalmente vires dormir, mas no fim não tive coragem de conversar contigo, porque eu não sabia o que dizer. seilá, desculpas? mas pelo quê? por eu ser uma idiota arrogante e orgulhosa, então me desculpa, de novo. essa palavra parece se repetir ao longo dos dias por aqui. eu só queria que as coisas ficassem bem, debilmente bem.

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tina.

>> segunda-feira, 29 de junho de 2009


Infelizmente, é só um pedido barato de desculpas. Desculpas para quem, afinal? Para as minhas expectativas mais soberbas de cláudias, de ser alguém diferentemente poética. Branca, magra e traços de Bovary. Não que eu não goste de poesia e das coisas belas em si. Pelo contrário, eu as amo, devoro-as, marco à fogo na pele. Mas sou mundana, perdoe-me. Sou carnal, carnalmente hipócrita e igual.
Porém, não pretendo estender-me sobre esse assunto, para manter as aparências, manter a tênue linha entre a verdade e a sanidade. As minhas mentiras me alimentam.


p.s: depois do velho Hitchcock, só um ordinário slayer.
Assinado: Tina.

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coco vede.

>> terça-feira, 31 de março de 2009


Vês estas manchas? Alastraram-se sobre a minha pele como uma praga, pois, de certa forma, eu quis assim. Fiquei exposta por demais. Então eu decidi que me cobriria, roupas longas-pretas-escuras, que escondessem a vergonha de ser eu mesma e que amenizassem a perturbação que as palavras me causam. Pediste, disseste com aquela voz de besta-fofa-gracinha, que eu poderia usar outra cor mais tarde. Camiseta branca com detalhes coloridos no centro, meio afoita por te encontrar novamente, ânsia de ser a tua preferida; porque me fazes tão bem e porque eu gosto quando ris das minhas piadas maldosas e porque és linda quando ficas sem graça e sem jeito se segurar a minha mão.
Eu poderia ficar horas e horas sentada naquele banco de lajotas laranjas -lembranças de outras vidas sem ti- contigo. Mas sem despedidas, é que elas gostam de me atormentar , ficam sussurrando teu nome e não me deixam dormir.


"O medo que lhe tem faz parte do miolo da vida, e quis consolá-la, estreitando-a junto a mim, num afeto que me surpreendeu. Invertidos os papéis, ajoelhei-me, acomodando a fronte em seu regaço, que transpirava um evanescente perfume de flores, mal e mal se percebia. Sentindo os dedos frágeis nos cabelos, entendi que me ligava á intrusa num amor recém-descoberto, e era como se a quisesse desde tempos imemoriais, desde o tempo que a vida e seu desenlance foram criados. Eu a amava, quis dizer-lhe isso, talvez pudesse ajudá-la, e ajudar-me. Mas o amor se trai no gesto, e eu me sentia já traída. Calei-me."

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>> sexta-feira, 2 de janeiro de 2009


Essa sensação sem-nome talvez resuma-se na angústia do teu nome. Eu não me importo, tanto faz, não sei- tudo mentira, eu só queria amenizar essa palpitação. É como se tu estivesses roubando tudo o que eu finjo ser.

Estás aqui, atormentando-me. Estás em todos os lugares, como um deus sádico. Pensas que eu não sei que te espreitas nas páginas amareladas que sou. Paranóia, paranóia. E me é impossível não te ver sentado naquela escada imunda, meio bêbado com um cigarro entre os dentes.

A camapainha estrídula, o som da minha felicidade desconhecida- os dedos céleres se escondem e se cruzam febrilmente, é ele é ele só pode ser ele. Mas ouço passos que não são os teus na escada, então os dedos se separam e se perdem despedaçados pela esperança inútil de que virias.

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flores não apodrecem.

>> domingo, 7 de dezembro de 2008


não, não. eu não quero apodrecer, flor. não quero que tudo isso vire adubo e nasça uma avenca. e eu sei que tu não consegues querer nada, mas eu fico querendo por nós duas. tu és a coisa-inefável-incrível de mim, desse eu que nem existe mais, que se esconde nas esquinas da tua cidade, debaixo da tua cama, na tua sombra. me cuida e me salva daqui que eu te salvo e te cuido.


[Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou.]

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get me away from here i'm dying.

>> terça-feira, 2 de dezembro de 2008


eu não quero essa indiferença, mas tu insistes em gritar teus pesadelos, que conheço tão bem, pelos corredores daquela maldita casa. eu só quero fugir, fingir que estou bem, rir de tudo, tomar meu café, me matar lentamente, todas as manhãs, com a bendita nicotina. pára de dizer que isso me faz mal e que sou sou tão inteligente pra me autodestruir assim. 'há alguma coisa mais autodestrutiva que continuar sem fé alguma?' não, não há. e eu me arrasto e me dilacero, tornando-me egocêntrica, individualista por deixar aquela menina de cabelos escorridos perdida entre tuas loucuras. mas eu não posso, talvez eu não queira fazer nada. só queria que tu me deixasses em paz, ou que desaparecesses. por que simplesmente não ages como se nada tivesse acontecendo? por que só não te dopas com teus malditos remédios e me deixa em paz? eu só quero ficar bem, mesmo que os outros não fiquem. e eu sinto muito, sinto muito mesmo por virar as costas pra ti, é que eu simplesmente não aguento mais. ou eu te deixo ou eu me interno contigo.

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