la mort est bleu.
>> quinta-feira, 20 de agosto de 2009

"Eu gostaria de poder comunicar a todos os seus medos da morte combinados o Ensinamento de Séculos de Idade que escutei, que redime toda a dor com uma recompensa suave de amor perfeito silencioso que permanece pra cima e para baixo e para dentro e para fora de todos os lugares passados, presentes e futuros no Vazio desconhecido onde nada acontece e tudo é simplesmente o que é. Mas eles mesmos sabem disso, besta e chacal e mulher amor, e meu Ensinamento de Séculos na verdade é tão velho que eles já ouviram há muito tempo antes de minha época. Todos nós nascidos para morrer."
primeiro derrame, medo de perder o pai dos olhos azuis, visita noturna, hospital, ele ainda está vivo, não se preocupe, entre e fale com ele; oi,vô, sou eu, com um desespero pulsante, mas ainda sou eu; os olhos vidrados de não-reconhecimento, de não-lembrança de tudo, do amanhecer naquela casa tirada dos contos de Poe, dos doces culpados pelo meus quilos a mais, dos olhos, da doçura, da velhice, neta preferida; eu não sei quem você é, sinto muito, é o que ele diria se pudesse; mas como?, sou eu, avôzinho, por favor, eu estou aqui. e depois? depois nada, depois morte e depois semanas em frente ao espelho, se você repetir o nome dele três vezes ele parece, juro, quem sabe ele aparecia de uma forma inexplicável, como nos filmes da madrugada, pra dizer adeus pra dizer que vai morrer de saudade mas que ele tem de partir pra sempre. mas nada no espelho, a não ser aquele reflexo gordinho e desajeitado de menina desiludida pela simplicidade da não-mais-existência. a morte é azul, minha criança.





