coco vede.

>> terça-feira, 31 de março de 2009


Vês estas manchas? Alastraram-se sobre a minha pele como uma praga, pois, de certa forma, eu quis assim. Fiquei exposta por demais. Então eu decidi que me cobriria, roupas longas-pretas-escuras, que escondessem a vergonha de ser eu mesma e que amenizassem a perturbação que as palavras me causam. Pediste, disseste com aquela voz de besta-fofa-gracinha, que eu poderia usar outra cor mais tarde. Camiseta branca com detalhes coloridos no centro, meio afoita por te encontrar novamente, ânsia de ser a tua preferida; porque me fazes tão bem e porque eu gosto quando ris das minhas piadas maldosas e porque és linda quando ficas sem graça e sem jeito se segurar a minha mão.
Eu poderia ficar horas e horas sentada naquele banco de lajotas laranjas -lembranças de outras vidas sem ti- contigo. Mas sem despedidas, é que elas gostam de me atormentar , ficam sussurrando teu nome e não me deixam dormir.


"O medo que lhe tem faz parte do miolo da vida, e quis consolá-la, estreitando-a junto a mim, num afeto que me surpreendeu. Invertidos os papéis, ajoelhei-me, acomodando a fronte em seu regaço, que transpirava um evanescente perfume de flores, mal e mal se percebia. Sentindo os dedos frágeis nos cabelos, entendi que me ligava á intrusa num amor recém-descoberto, e era como se a quisesse desde tempos imemoriais, desde o tempo que a vida e seu desenlance foram criados. Eu a amava, quis dizer-lhe isso, talvez pudesse ajudá-la, e ajudar-me. Mas o amor se trai no gesto, e eu me sentia já traída. Calei-me."

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